Saiba quem são os PMs presos por suspeita de integrar esquema de agiotagem e extorsão no Tocantins
Sargento Valdimar Rufino e o soldado Delcio Lima – Foto: Divulgação

Dois policiais militares lotados no 7º Batalhão da Polícia Militar, em Guaraí, estão entre os alvos centrais da Operação Nêmesis, deflagrada pela Polícia Civil nesta sexta-feira, 24, que investiga um suposto esquema de agiotagem, cobranças ilegais e extorsão no Tocantins.

Com prisão preventiva decretada, o sargento Valdimar Rufino de Sousa, de 47 anos, e o soldado Délcio Lima de Borba Júnior, de 30, aparecem na decisão judicial como peças importantes de um grupo suspeito de usar intimidação, ameaças e até a imagem do aparato policial para pressionar vítimas a quitar dívidas com juros considerados abusivos.

Segundo a investigação, o grupo atuava havia mais de dois anos em Guaraí e Palmas.

Uso da farda e “prestígio do cargo”

A decisão aponta que Délcio Lima teria participado de cobranças simulando ações típicas de polícia para constranger devedores. Conforme o processo, ele é suspeito de usar a própria condição de policial para dar aparência de legalidade às pressões e reforçar ameaças.

Já o sargento Valdimar é descrito como participante direto das ações de cerco e intimidação contra vítimas durante as cobranças.

A apuração sustenta que o grupo se valia do peso institucional dos cargos públicos e, em alguns episódios, até da exibição de armas para aumentar a pressão psicológica.

Em um dos trechos mais graves citados na decisão, integrantes do grupo teriam invadido um estabelecimento comercial em Palmas para exigir pagamento de dívida sob ameaça.

Há também menção a simulação de registro policial como forma de coagir as vítimas.

Quem são os policiais

Valdimar Rufino e Délcio Borba são lotados no 7º BPM, em Guaraí, e agora também foram afastados das funções por 60 dias, além de terem o recolhimento das armas determinado pela Justiça.

A operação também autorizou buscas em endereços ligados aos investigados.

Segundo o juiz do caso, há indícios suficientes de autoria e materialidade e risco de continuidade das condutas investigadas.

Grupo tinha outros servidores

Além dos dois PMs, a operação levou à prisão de Francisco de Assis Gomes de Almeida, apontado como responsável pelos empréstimos e suposto principal beneficiário do esquema, e Roberto Plathyny Vieira Saraiva, servidor contratado da Secretaria da Cidadania e Justiça (Seciju).

Conforme a decisão, o grupo atuava de forma articulada na cobrança de dívidas e utilizava ameaças recorrentes para forçar pagamentos.

As vítimas citadas na investigação são um empresário e a mãe dele, que relataram episódios repetidos de constrangimento e pressão.

Vídeos, mensagens e áudios teriam embasado a investigação.

O que dizem os órgãos

Em nota, a Polícia Militar afirmou acompanhar o caso e informou a abertura de procedimentos administrativos para apurar a conduta dos policiais.

A corporação declarou ter “tolerância zero” com desvios funcionais.

A Seciju informou que o servidor investigado exercia função administrativa temporária e que já adotou medidas para extinguir o vínculo.

As defesas dos investigados disseram que só devem se manifestar após acesso integral aos autos.

Operação mira esquema com agentes públicos

Batizada de Nêmesis, referência à deusa grega da justiça e da punição, a operação expôs o que a Polícia Civil suspeita ser um esquema em que agentes públicos teriam cruzado a fronteira entre autoridade e crime.

E colocou dois policiais militares no centro de uma investigação que agora avança para apurar até que ponto a estrutura do Estado teria sido usada para cobrar dívidas na base do medo.

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