Sem água, energia e acesso: indígenas Kanela ocupam área da União e relatam intimidações

Treze famílias indígenas do povo Kanela do Tocantins estão acampadas há mais de duas semanas em uma área às margens do Rio Javé, próximo ao município de Sandolândia, no sul do estado. O grupo afirma que ocupa uma faixa pertencente à União e cobra da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e do Governo Federal uma solução definitiva para garantir território e acesso a políticas públicas.

A ocupação começou no dia 4 de maio. Segundo a cacica Dalma Régia, as famílias vivem em situação precária, sem energia elétrica, água potável e acesso regular ao local. “Nós estamos ocupando este espaço da União reivindicando um lugar para que possamos ser atendidos. Precisamos das políticas públicas, resgatar nossa cultura, nossa tradição e nossa língua materna”, afirmou à Gazeta.

De acordo com a liderança indígena, o único acesso que permitia a entrada de veículos teria sido fechado por uma fazenda vizinha. Hoje, os indígenas afirmam que precisam carregar mantimentos nas costas por uma trilha improvisada. “Nós tínhamos um lugar onde entrávamos com nossos meios de transporte, mas foi fechado. Agora estamos indo por um trieiro. Temos idosos, crianças e mulheres grávidas”, relatou.

A cacica também denunciou intimidações feitas por um homem que vive próximo à área ocupada. Segundo ela, o morador teria ameaçado instalar cerca elétrica para impedir a passagem da comunidade.“Estamos com receio, sim. Esse homem fala em colocar choque para a gente não passar até nossa aldeia”, disse.

Ainda conforme Dalma Régia, duas motocicletas utilizadas pelas famílias teriam sido sabotadas após serem deixadas do lado de fora da ocupação.

A comunidade sustenta que a área ocupada pertence à União por estar localizada na margem do Rio Javé, considerado um rio federal. Segundo a cacica, os indígenas estão instalados dentro da faixa de preservação vinculada ao leito do rio. “A comunidade tem certeza que essa área é da União porque estamos ocupando a margem do rio. Nós não estamos prejudicando nenhum não indígena”, argumentou.

Os Kanela do Tocantins afirmam que aguardam uma definição territorial desde 2010 e que já participaram de reuniões com representantes da SPU, da Funai e do Ministério Público Federal em Palmas. “Tivemos reunião com a SPU, acompanhados pela Funai. Todos têm conhecimento que estamos em área da União. Agora aguardamos uma resposta do Ministério”, afirmou a liderança.

Segundo Dalma, o grupo conhece a região de Sandolândia há anos, principalmente a área próxima à Praia da Barra do Rio Verde, frequentada pela comunidade indígena. “É um lugar que vimos durante muitos anos e entendemos que pode servir como ponto de apoio para nossa comunidade receber atendimento e viver com dignidade”, declarou.

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