
A técnica de enfermagem Yorrana Dias de Sousa, de 21 anos, denunciou ter sido agredida pelo então namorado, o vereador de Maurilândia do Tocantins, Ammon Eduardo Ribeiro Mota Souza (União), em janeiro deste ano. O caso veio à tona após a jovem divulgar imagens que mostram o rosto inchado e o lábio sangrando.
Segundo Yorrana, a agressão ocorreu no dia do aniversário do vereador, quando ela estava na casa dele. A jovem relata que havia saído para comprar cerveja e ainda estava dentro do carro quando foi surpreendida.
“Aquela hora a gente estava na casa dele. Fui lá comprar cerveja, não deu tempo nem eu descer do carro. Ele veio com a moto com o amigo dele, abriu a porta do carro e começou a me socar”, contou.
De acordo com a vítima, essa não teria sido a primeira vez que sofreu agressões durante o relacionamento. Mensagens atribuídas ao vereador também reforçam o clima de violência. Em um dos trechos apresentados pela jovem, ele afirma: “Eu ia te matar”.
Após procurar a polícia e assistência jurídica, Yorrana conseguiu na Justiça medidas protetivas contra o parlamentar. Mesmo assim, ela afirma ainda viver com medo de represálias.
“Eu vejo que ele está seguindo a vida dele normalmente, enquanto eu estou tendo que me esconder. Eu que estou sendo presa nesse caso. Eu espero que a Justiça seja feita. Que ele pague de alguma forma, seja na Justiça ou pela lei de Deus, e que aprenda para não fazer isso com outras”, disse.
Procurado, o vereador informou que se apresentou às autoridades para prestar esclarecimentos e que está à disposição para colaborar com a Justiça. Ele afirmou ainda que, por orientação jurídica, não pode comentar o caso neste momento.
A Prefeitura de Maurilândia do Tocantins informou que prestou apoio à vítima por meio de profissionais das áreas da saúde e da assistência social. Já a Câmara Municipal da cidade declarou apenas que não irá se manifestar sobre o caso supostamente envolvendo o parlamentar.
Violência doméstica no estado
Dados do Núcleo de Controle de Atividades Especiais da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins apontam que mais de 900 boletins de ocorrência foram registrados nos últimos dois anos por descumprimento de medidas protetivas de urgência no estado. Somente em 2026, já são mais 159 registros.
No mesmo período, 23 mulheres foram vítimas de feminicídio no Tocantins.
Para acelerar a tramitação de processos relacionados à violência doméstica, o Poder Judiciário realiza a campanha Semana Justiça pela Paz em Casa, com previsão de cerca de 300 audiências, 220 despachos e dois júris, um em Palmas e outro em Gurupi.
“Mostrar para essa mulher que o Judiciário está ao lado dela, que nós estamos buscando entregar essa resposta ainda mais rápida para ela, que ela pode sim romper esse ciclo”, afirmou Letícia Oliveira, assessora jurídica do Tribunal de Justiça do Tocantins.
Romper o ciclo
Histórias de violência doméstica também atingem mulheres de diferentes profissões. A sargento da Polícia Militar Mahianna Maciel contou que passou anos em um relacionamento abusivo antes de decidir romper com a situação.
Segundo ela, o momento decisivo veio após um questionamento da filha.
“A minha filha perguntou: ‘A senhora aguenta isso é por causa da gente? A senhora quer criar a gente com o pai?’ Esse foi o meu primeiro estalo”, relatou.
Mahianna afirma que recebeu apoio da rede de proteção e do próprio grupo da Polícia Militar. Hoje, diz viver livre da violência, embora o trauma permaneça.
“Eu tive todo o acolhimento e o apoio. Isso é de extrema importância, porque nem mesmo a policial está ilesa de viver e passar por isso”, afirmou.
