Anvisa determina apreensão de lote falsificado de Mounjaro
Foto: Matthew Horwood/Getty Images

Na última quarta-feira (7/1), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou e determinou a apreensão de um lote falsificado do medicamento Mounjaro no mercado brasileiro — medida que suspende a comercialização, distribuição e uso do produto em todo o país.

A ação também atingiu outros medicamentos com irregularidades, em uma operação fiscal voltada à proteção da saúde de pacientes e consumidores.

O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, é um fármaco usado no tratamento da obesidade e da diabetes. Considerado de alto valor terapêutico e comercial, ele tem sido alvo frequente de esquemas de falsificação, segundo relatos das autoridades sanitárias e das próprias fabricantes.

A apreensão do Mounjaro se deu após a própria fabricante detentora do registro, Eli Lilly do Brasil Ltda., comunicar à Anvisa que o lote D838878 não foi produzido por ela e, portanto, não é autêntico.

Com isso, a agência reguladora determinou que o lote seja recolhido e proibiu todas as formas de comercialização, distribuição e uso no território nacional.

Segundo a Anvisa, medicamentos falsificados representam um risco sério à saúde porque podem conter princípios ativos diferentes, dosagens erradas, contaminantes ou até substâncias tóxicas. Além disso, sem a garantia de origem e qualidade, não há como saber se o produto terá qualquer efeito terapêutico.

Outras irregularidades detectadas

A fiscalização também encontrou outros medicamentos com irregularidades que motivaram proibições semelhantes:

  • Imbruvica: medicamento usado no tratamento de cânceres do sangue (como leucemia, linfoma e mieloma). Três lotes — NIS7G01, NJS7J00 e PJS0B00 — foram considerados irregulares depois que a fabricante Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda. informou que não os reconhece. O registro do produto em cápsulas desse tipo foi, inclusive, cancelado.
  • Voranigo: indicado para o tratamento de tumores cerebrais, o lote FM13L62 foi alvo de apreensão após os Laboratórios Servier do Brasil declararem não reconhecer sua origem.

Além dessas falsificações, foram identificados problemas de troca de embalagens em outros medicamentos, o que pode levar a confusão de dosagem ou indicação terapêutica. Entre esses casos estão:

  • Pantoprazol Sódico Sesqui-Hidratado 40 mg (lote OA3169): caixa continha comprimidos de outro remédio, a hidroclorotiazida 25 mg, usado para hipertensão. A própria fabricante MedQuímica comunicou o erro e iniciou o recolhimento voluntário.
  • Alektos 20 mg (lote 569889), um antialérgico da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. foi embalado com caixa de Nesina, medicamento para diabetes, e também está sendo recolhido.

Riscos e orientações à população

A Anvisa reforça que produtos falsificados ou com irregularidades não devem ser usados em hipótese alguma, pois não há garantia de segurança, eficácia ou qualidade. A agência recomenda:

  1. Verificar sempre a procedência dos medicamentos.
  2. Confirir lotes e datas de validade.
  3. Consultar farmácias, drogarias e distribuidoras regularmente autorizadas.
  4. Comunicar qualquer suspeita de irregularidade aos Canais de Atendimento da Anvisa ou à Vigilância Sanitária local.

O órgão reforça que medicamentos falsificados ou com irregularidades representam risco direto à saúde e não devem ser utilizados em nenhuma circunstância.

Por isso, é válido que pacientes comprem remédios apenas em estabelecimentos regularizados e comuniquem imediatamente à vigilância sanitária qualquer suspeita de falsificação ou erro de embalagem.

Fonte: Metrópoles

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