Associação repudia exoneração no DSEI Tocantins e diz que ministro Padilha rompeu compromisso com povos indígenas

A exoneração do coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (DSEI-TO), Haratumá Warasi Maurerri Javaé, provocou reação do movimento indígena no estado e levou a Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (ArPIT) a divulgar uma dura carta de repúdio contra o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

No documento, a entidade acusa o governo federal de descumprir compromissos assumidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Acampamento Terra Livre, quando, segundo a organização, foi garantida participação direta dos povos indígenas na indicação de gestores ligados à política indigenista e à saúde indígena.

Para a ArPIT, a saída de Haratumá representa uma ruptura desse compromisso e foi conduzida sem diálogo com as organizações indígenas do Tocantins. Na carta, o movimento afirma que a decisão ocorreu de forma unilateral, sem consulta às lideranças que participaram da escolha do coordenador.

Segundo a articulação, a indicação de Haratumá não foi uma decisão individual, mas fruto de construção coletiva envolvendo mais de 100 lideranças indígenas no início da atual gestão federal. Por isso, a exoneração é tratada pela entidade como uma afronta ao protagonismo indígena e ao processo democrático construído junto aos povos originários.

A nota também sustenta que pedidos formais pela permanência do coordenador teriam sido encaminhados a instâncias como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e à Frente Parlamentar Indígena da Câmara Federal, sem resposta.

No texto, a ArPIT afirma que a medida demonstra desprezo pelas instâncias representativas indígenas e aponta o que classificou como decisões “autoritárias” tomadas à revelia do movimento.

A reação também carrega um tom político. A organização cobra revisão imediata da exoneração e adverte que episódios como esse podem comprometer a relação entre o governo federal e os povos indígenas.

Em um dos trechos mais duros da carta, a entidade afirma que não aceitará “imposições”, “retrocessos” nem o “desmonte do diálogo”, e diz que seguirá mobilizada na defesa da autonomia dos povos indígenas e do respeito às suas organizações.

O episódio reacende debates sobre participação indígena na gestão pública e sobre o papel das organizações originárias na definição de políticas voltadas aos próprios territórios.

Leia a carta de repúdio na íntegra

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