Mudança aprovada no Congresso pode beneficiar policiais federais de Palmas; sindicato destaca atuação de Eduardo Gomes
Eduardo Gomes

Os 141 servidores da Polícia Federal que atuam em Palmas poderão ser beneficiados por uma mudança na legislação que trata do pagamento de indenizações a profissionais lotados em regiões consideradas estratégicas para a segurança pública. A possibilidade surgiu após o Congresso Nacional aprovar uma proposta que inclui municípios da Amazônia Legal entre as localidades que podem receber o benefício.

A alteração foi incorporada ao texto por iniciativa do senador Eduardo Gomes (PL-TO), relator da matéria na Comissão Mista do Congresso. A atuação do parlamentar foi reconhecida pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Estado do Tocantins (SINPF/TO), em nota divulgada nesta quinta-feira (29).

Atualmente, Palmas não integra a relação de localidades estratégicas para o pagamento da indenização, embora esteja situada na Amazônia Legal. A nova redação abre caminho para que a capital tocantinense seja incluída na lista, mas não garante o pagamento automático do benefício.

O texto aprovado corresponde ao Projeto de Lei de Conversão nº 12/2026, originado da Medida Provisória nº 1.375/2026. A Câmara dos Deputados concluiu a votação na terça-feira (27), e o Senado aprovou a matéria na quarta-feira (28). A proposta segue agora para sanção presidencial.

Sindicato aponta dificuldade para manter policiais na região

Para o presidente do SINPF/TO, Felipe P. Jaime, a mudança pode contribuir para enfrentar um problema recorrente na Região Norte: a dificuldade de manter servidores federais por longos períodos nas unidades.

Segundo ele, muitos profissionais iniciam a carreira na região, mas acabam solicitando transferência para outros estados, o que prejudica a continuidade das atividades de investigação e inteligência.

“A proteção da Amazônia é de suma importância para o Brasil e para o mundo, e é uma região que exige presença permanente da Polícia Federal, do tráfico internacional à exploração ilegal de recursos naturais”, afirmou.

Felipe também chamou atenção para os efeitos da rotatividade de servidores.

“O Norte é reconhecidamente uma região de primeira lotação, com baixa permanência dos policiais: a União paga a formação de novos quadros e perde, a cada transferência, o conhecimento acumulado sobre a criminalidade da região”, acrescentou.

O dirigente lembrou que a unidade de Palmas conta atualmente com 141 servidores da Polícia Federal.

Araguaína já recebe tratamento diferenciado

No Tocantins, a indenização por localidade estratégica já contempla Araguaína, município incluído nas relações estabelecidas para a Polícia Federal desde as primeiras portarias.

A situação é diferente na capital, que permanece fora da lista.

A indenização foi instituída pela Lei nº 12.855/2013 e tem como objetivo incentivar a permanência de servidores em localidades consideradas relevantes para o enfrentamento de crimes e para a atuação do Estado.

Na avaliação do sindicato, o Tocantins reúne características que justificam uma revisão dos critérios. Além de integrar a Amazônia Legal, o estado é atravessado por importantes corredores de transporte, como a BR-153 e a Ferrovia Norte-Sul.

Essas rotas conectam a Região Norte ao Centro-Oeste e ao Sudeste e, segundo a entidade, reforçam a necessidade de manter uma estrutura permanente de segurança pública e investigação federal.

O sindicato também relaciona a medida às ações do Programa Amazônia Segura e Soberana (Amas), criado pelo Governo Federal em 2023 para fortalecer o combate à criminalidade na região.

Pagamento ainda depende de decisão do Governo Federal

Apesar da aprovação no Congresso, a mudança não significa que os servidores de Palmas passarão imediatamente a receber a indenização.

Além da sanção presidencial, será necessário que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) atualize a relação dos municípios reconhecidos como localidades estratégicas.

Segundo o SINPF/TO, um pedido de inclusão de novas cidades já tramita no ministério desde 2023. A solicitação foi encaminhada pela Direção-Geral da Polícia Federal, mas ainda aguarda uma definição.

Com a inclusão expressa da Amazônia Legal na legislação, o sindicato considera que o pleito ganha um novo fundamento jurídico.

A entidade informou que continuará acompanhando a tramitação e se colocou à disposição para contribuir com informações técnicas.

Para o SINPF/TO, mais do que uma questão salarial, o reconhecimento de novas localidades estratégicas representa uma oportunidade de fortalecer a presença da Polícia Federal em regiões onde a permanência dos profissionais é considerada essencial para o combate à criminalidade.

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