
Uma denúncia sobre suposta ausência de médicos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tocantinópolis terminou em prisão, acusações de agressão e versões conflitantes entre paciente, Polícia Militar e gestão municipal. O caso aconteceu na noite de segunda-feira, 27, e ganhou repercussão após vídeos gravados dentro da unidade circularem nas redes sociais.
A pedagoga D’ane Carvalho da Costa Oliveira, de 43 anos, afirma que foi à UPA em busca de atendimento para a sobrinha, um bebê de sete meses, e decidiu filmar a situação ao encontrar pacientes esperando atendimento e, segundo ela, consultórios sem médicos. “Bati em duas portas e não tinha ninguém. Foi aí que comecei a gravar”, relatou.
Segundo D’ane, a criança já havia passado várias vezes pela unidade sem melhora no quadro clínico, o que aumentou sua preocupação. Ela afirma que, após a gravação ganhar repercussão, foi chamada para um consultório por um médico e, em vez de atendimento, houve discussão. Pouco depois, a Polícia Militar foi acionada.
A pedagoga diz que a abordagem terminou em violência. Segundo ela, foi retirada da viatura por um policial, jogada no chão e chamada de “rapariga”. Também afirma ter sido agredida novamente já na delegacia, onde, segundo seu relato, foi empurrada contra uma barra de ferro e levou um tapa. Imagens divulgadas por ela mostram escoriações pelo corpo e ferimentos na boca.
Ela acabou presa em flagrante por desacato e resistência, pagou fiança e foi liberada para responder em liberdade.
PM e SSP apresentam outra versão
A Secretaria da Segurança Pública informou que a mulher foi autuada por resistência e desacato. Segundo a pasta, ela teria se exaltado dentro da unidade, causado apreensão entre pacientes e servidores, resistido à condução policial e chutado um dos militares, o que teria levado ao uso de algemas.
A Polícia Militar sustentou a mesma versão e afirmou que D’ane entrou em consultório em atendimento, teria proferido ameaças e provocado tumulto no funcionamento da unidade. Segundo a corporação, a contenção ocorreu “dentro dos limites legais” e foi necessária para preservar a segurança no local.
O caso será apurado pela 20ª Delegacia de Polícia de Tocantinópolis.
Prefeito diz que unidade tinha médicos e aponta motivação política
Em meio à repercussão, o prefeito de Tocantinópolis, Fabion Gomes, saiu em defesa da unidade e dos profissionais de saúde. Segundo ele, a UPA contava com equipe médica de plantão e o episódio teria sido motivado por interesses políticos.
O gestor afirmou ainda que a unidade é reconhecida por órgãos de controle pela qualidade dos serviços e disse manter confiança no trabalho da equipe de saúde.
Vídeo reacende debate sobre atendimento e abordagem policial
O episódio abriu duas frentes de debate: a qualidade do atendimento na rede pública e a conduta policial na ocorrência.
Enquanto D’ane sustenta que tentou denunciar um problema no atendimento pediátrico e acabou criminalizada, a versão oficial aponta desacato, resistência e perturbação na unidade.
A prisão, as imagens da abordagem e as acusações de agressão deram nova dimensão ao caso, que agora deve avançar tanto na esfera criminal quanto no debate público sobre atendimento e direitos dos usuários do sistema de saúde.
