
Em uma noite marcada por olhares marejados, o som dos papéis dos processos matrimoniais manejados habilmente por servidores(as) do Poder Judiciário e do Cartório do Registro Civil das Pessoas Naturais de Araguaína deu ar de dignidade aos 160 noivos e noivas que se uniram em matrimônio no encerramento da 3ª edição do Mutirão Pop Rua Jud nesta sexta-feira (17/4).
O auditório da Escola de Tempo Integral Jardenir Jorge Frederico, no setor Maracanã, de Araguaína, testemunhou recomeços e pontos de partida de histórias amorosas que possuem como elemento comum o fim da “invisibilidade civil”, condição superada pelo casamento comunitário que uniu diferentes gerações, como jovens que estão há três meses juntos e idosos que há quase 40 anos dividem o mesmo teto.
Coordenado pela desembargadora Ângela Prudente, presidente do Comitê Regional Pop Rua Jud, o evento trouxe a sonhada mudança de estado civil aos noivos e noivas. Eles deram um “sim” coletivo diante das autoridades e familiares, um gesto que revela a completude de famílias que, embora existissem no coração, passaram a ganhar a proteção estatal documentada.
“Este casamento é o símbolo máximo de inclusão. Ele retira da invisibilidade o sentimento mais nobre, garantindo que o direito de constituir uma família seja pleno e protegido pelo Estado”, declarou a desembargadora em discurso, no encerramento da celebração, no qual disse ter se emocionado por ver o “brilho nos olhos” dos casais. “Vocês não estão apenas mudando o estado civil. Estão reafirmando compromisso de parceria, de cuidado e de lealdade perante a vida de vocês, dos familiares e da sociedade”, destacou Ângela Prudente.
A celebração coletiva diante de um auditório tomado por familiares revelou que o sentimento que une histórias amorosas não se importa com a idade, cenário ou plataforma onde nasce. Entre casais, alguns estavam juntos há quase 40 anos. Outros esperaram um pouco menos, como Lívia Viana Dias, 36, e Fábio Modesto Silva, 44, com 15 anos de união estável sob o mesmo lar.
Com três filhos como testemunhas, o casal se conheceu em um almoço de amigos, em Nova Olinda, uma cidade próxima, e logo passou a viver juntos. Agora, decidiu que era hora de “fazer as pazes com a consciência e com Deus”, como revelou a noiva, evangélica. Ela diz que o casamento celebra a oficialização de uma vida inteira de companheirismo. Para o noivo, católico, o ato também é uma reafirmação de fé.
No outro extremo do tempo entre o conhecer e o decidir pelo casamento, estão Bianca Alves Nery, 19, e Micaias Pereira Rodrigues, 21. Nesse caso, a tecnologia serviu de cupido aos jovens. Iniciado pelo Twitter (atual X), o romance se consolidou após um encontro, uma semana depois, para comer pastel. E levou apenas três meses para chegar ao altar.
“Eu tinha perdido as esperanças de encontrar alguém leal”, confessa Micaias, evangélico que vê no casamento um mandamento de fé e o início de uma vida de responsabilidades compartilhadas. “Com dois meses, ele me pediu em casamento e hoje, com três meses, a gente vai casar”, resumiu a noiva, também evangélica, ao reafirmar o fundamento religioso para se unirem em matrimônio com tão pouco tempo de convívio.
O amor na maturidade também encontrou espaço no mutirão Pop Rua Jud, como revela a história de Maria de Lourdes Resplandes Araújo, 72, e Joaquim Pereira de Souza, 77. Os dois comprovam que nunca é tarde para buscar e encontrar companhia.

Ela estava divorciada havia mais de 20 anos de uma união que rendeu dez filhos. Ele era o vizinho que havia se mudado para o bairro Itatiaia após uma separação da primeira união e também estava solitário havia um tempo. Agora, ele diz ter encontrado em Maria a parceira ideal para os dias de “perfeição que vive hoje”. Estão juntos há dois anos e decidiram unir seus caminhos. Ela lembra que quando contou aos filhos que se casaria, o mais velho veio de Goiânia com a esposa e filhos, para testemunhar o recomeço da matriarca.
Maria de Nazaré da Silva Mourão, 21, e Bruno Barbosa da Silva, 22, começaram a namorar ainda na escola, entre o 9º ano do ensino fundamental e o primeiro ano do ensino médio. Decidiram morar juntos e, agora, viram no casamento comunitário a realização de um sonho que a condição financeira antes não permitia. A busca pela paz espiritual também os move. “A gente é evangélico e a gente quer fechar a brecha que tem perante Deus”, afirmou a noiva, orgulhosa por oficializar a união da família que já conta com duas filhas pequenas.
